Mostrando postagens com marcador poemas manuel bandeira neruda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poemas manuel bandeira neruda. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Poemas para a vida.

LXXIX

De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem as trevas
como um duplo tambor combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.

Noturna travessia, brasa negra do sonho,
interceptando o fio das uvas terrestres
com a pontualidade de um trem descabelado
que a sombra e pedras firas sem cessar arrastasse.

Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate
com as asas de um cisne submergido,

para que à perguntas estreladas do céu
responda nosso sonho com uma só chave,
com uma só porta fechada pela sombra.

Pablo Neruda.


Resposta a Vinícius

Poeta sou; pai, pouco;irmão, mais.
Lúcido, sim; eleito, não.
E bem trsite de tantos ais
que me enchem a imaginação.

Com que sonho? Não sei bem não.
Talvez com me bastar feliz
- Ah, feliz como jamais fui!-,
arrancando do coração
- arrancando pela raíz-
este anseio infinito e vão
de possuir o que me possui.

Manuel Bandeira



Céu

A criança olha
para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
quer tocar o céu.

Não sente a criança
que o céu é ilusão:
crê que não o alcança
quando o tem na mão.

Manuel Bandeira