Era uma vez um ratinho chamado Bob. Típico ratinho brasileiro: esperto, ágil, inteligente, sempre superando as adversidades. É certo que sua aparência o ajudava, pois este possuia alguns pêlos ruivos-legado da raíz de família européia. Graças a isso, seu pai, sua mãe e ele, filho único-sobrevivente-, eram respeitados na comunidade dos ratos. Embora o pai se queixasse a maior parte do tempo, falando como era boa a sua infância na Europa, e que ele nunca mais comeu queijo, que os ratos americanos são mais fortes por que o lixo de lá é melhor(enfim...), essa família de ratinhos vivia bem. A sociedade recifence, os canais pútridos, os esgotos antigos e as cheias de verão contribuiram para o bem estar dessa família. Bob, muito esperto, sabia tudo de canais e córregos. Se alimentava até mesmo dos peixinhos "guaru", quando decidia nadar um pouco nos córregos de brasília teimosa(ou formosa, como é conhecida hoje). Certo dia, Bob chegou em casa com uma namorada: Bela, uma ratinha muito bem composta e também descendente de estrangeiros. Viera de navio para recife e morava em boa viagem, por entre o jardim de flores leitosas e vívidas e o canal da rua por trás da avenida Domingos Ferreira. É certo que os dois, muito novos e espertos, curtiam as farras e as madrugadas; fato que não era bem visto pelo pai de Bela, o senhor Brown. Entretanto, eles saíam sempre que podiam e iam dormir na casa dos amigos pra fazer vocês-sabem-o-quê. Esses ratinhos hoje em dia estão cada vez mais desinibidos! Fazem sexo, bebem, usam drogas... Eis que, talvez por isso, o destino de Bob tenha sido tão cruel.
No mundo dos humanos, havia toda uma agitação em volta da campanha por uma cidade limpa. Certos animais contribuiriam para tanta sujeira e tanta doença. Entre as doenças, em especial, havia o pavor pela leptospirose: doença que se pode pegar através do contato com água contaminada por urina de rato. A efervescência da camapanha atingiria seu auge com a implantação de cartazes pelos ônibus e pontos de ônibus dizendo que era preciso combater a ferro e fogo a leptospirose. O cartaz tinha a foto de um rato enorme e horroroso e dizia: "Leptospirose. Isso precisa morrer". Graças a isso, começou a existir uma imensa perseguição aos ratos e, certo dia, desobedecendo sua mãe, Bob foi encontrar Bela numa rave no bairro de piedade. A festa foi esplendorosa: muito ecstasy, muita ratinha dando por aí, e Bob passou a noite inteira bebendo, se drogando e trepando muito com sua namoradinha. Até que, às quase cinco da manhã, Bob, depois de tanta farra, desmaia na beira de um córrego. Ao acordar, já sozinho, em plenas nove horas do dia, Bob percebe que está sendo vigiado por um grupo de humanos curiosos que, ao notarem que Bob estava vivo, começaram a gritar incessantemente: "RATO, RATO! MATA!". Bob, longe de casa, com as patas fracas e a cabeça doendo de tanto trepar, pensou: "Me fudi". Saiu-se correndo apavorado, mas já não tinha forças e a multidão de gigantes começava a alcançá-lo. Fora encurralado num círculo, esquivando dos pisões e das vassouras nervosas pelo seu sangue. Urinava de medo e pavor; tentava sair, mas era chutado, pisado, as vassouras tiravam fino de sua cabeça. Eis que um sujeito esperto, desses entregadores de água mineral que andam em bicicletas pensou: "ele não deve escapar do butijão de água". Então, o esperto homem lança no meu do círculo os vinte litros de água que, tragicamente, dilaceram o pobre corpo de Bob; seu sangue, sua urina, suas vísceras compostas na água que se derramou, lavavam lentamente os pés dos carrascos que ali estavam, atônitos com a incrível inteligência do entregador de água. Pobre ratinho: morto no auge da vida. Entre alguams daquelas pessoas, havia uma senhora com vários "bifes" e uma unha encravada que sangrava facilmente. Havia ainda um rapaz que, ao pisar o rato de chinelo, não percebeu que o corte no pé, dádiva de um jogo de bola num campinho há três dias atrás, não havia se fechado por completo. teve a chance de ir no hospital para pontear os ferimentos, mas como é brasileiro, resolveu deixar para depois. E assim, os casos de leptospirose continuaram aumentando. Pobre ratinho. Pobres pessoas, os idiotas da vez.
Vocês já pensaram sobre como o nazi-facismo surgiu?
Mostrando postagens com marcador burrice.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador burrice.... Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Assinar:
Postagens (Atom)